Google, Yahoo!, Live, Ask ou Cuil: quem é o rei das buscas?

O Rand Fishkin, CEO da SEOmoz, publicou ontem um belíssimo post analisando os principais mecanismos de busca disponíveis hoje na web. É um daqueles textos para você imprimir e levar na carteira :). A produção da análise teve um forte estímulo por parte lançamento do Cuil, que também levou suas (fracas) notas. Assim, o novato da buscas passou pelo crivo de Rand, sendo comparado aos já estabelecidos Google, Yahoo!, MSN Live!Ask.com.   

A avaliação focou nos seguintes pontos: relevância, cobertura, frescor, diversidade e experiência de uso. Abaixo o tão esperado resultado (que não surpreende, é verdade). De qualquer forma, vale clicar aqui e ler o post completo e conferir o aprofundamento em cada um dos itens que foram abordados pelo autor

O que a Microsoft e o “Mojave Experiment” têm em comum?

Muitas vezes o primeiro passo a ser dado para resolver um problema é aceitar que ele existe — e parece que a Microsoft está pensando assim. Prova cabal disso atende pelo nome de “Mojave Experiment”.

 

Considerando as pesadas críticas que o Windows Vista vem sofrendo (para ter uma idéia, dá uma clicada aqui para navegar pelos resultados de “Vista sucks” no Google), a Microsoft decidiu por fazer uma espécie de teste cego, onde uma série de pessoas experimenta o Vista sem saber que ele é ele. Compreendeu? 

O site traz uma porção de depoimento desse pessoal, que até elogia o sistema operacional (chamado de Mojave, no teste) e depois fica surpresa ao saber que trata-se do surrado Vista. Vale dar uma visitadinha e conferir os vídeos, que são bem pequenos e fáceis de consumir. A idéia é muito boa e o elemento principal de navegação (à la PicLens, um programinha/addon que permite brincar com fotos, vídeos e outros elementos de modo bem interativo e animado) prende bastante a atenção de quem chega.

Apesar da boa idéia, fica complicado saber se a ação terá um efeito significativo. A impressão que fica é que o alcance não será grande, não. Pena…

Primeiras impressões sobre o Cuil – “o concorrente do Google”

A palavra da moda de hoje, 28 de julho, teve muito mais piadinhas acerca da sua pronúncia do que propriamente efeitos práticos pelo seu uso. O Cuil, que se propõe a ser o grande rival da busca do Google (e, sim, quem sabe, derrotá-lo), promete, mas ainda não convence. Ao menos, no que diz respeito à experiência de uso de quem visita, de quem faz uma busca usando as suas engrenagens. 

A começar pelo fato de seus criadores serem engenheiros ex-funcionários do Google, a história já teria grande repercussão. Muito provavelmente pela experiência técnica deles, o Cuil conseguiu captar US$ 33 milhões para iniciar suas operações, o que é um montante bem razoável para um projeto embrionário.  

Até este exato momento, o assunto já tinha gerado mais de 1.600 blog reactions no Technorati. No Google Trends também deu o que falar e chegou a estar entre os termos mais procurados do dia. E, assim como tantos projetos atuais como o Orkut, Twitter e outros tantos que já andamos cometando por aqui, este também não aguentou a massa de visitantes e baleiou. Ou seja, andou ficando bem lento, quando não esteve indisponível. (Se eu fosse o investidor, ficaria um pouco desapontado com isso…).

No entanto, apesar de todo o alarde que já se tem em função do surgimento de um opositor ao gigante, o que se vê na web são críticas não muito boas ao Cuil. Por sinal, um bom indicador para isso é o fato do termo “Cuil Sucks” estar entre os mais buscados no Google como diz o Google Trends (ou seria uma informação manipulado pelo próprio Google?), já chegando perto da busca por “Cuil” apenas. (É grande a ocorrência de buscar por “Ciul” e outras formas erradas de se digitar o nome do site).

O Cuil tenta se diferenciar logo de cara com o seu fundo preto (somente visto em sua página inicial). Nas estatísticas, mais disparidades: o Cuil diz ter indexadas 120 milhões de páginas e afirma contemplar 3 vezes mais itens que o Google, que retruca alegando que possui 1 trilhão, mas que nem todos são usados/publicados. Ah, e como poderia esquecer… O Cuil gaba-se de ter custos 10 vezes menores do que o Google para indexar a mesma quantidade de informação. Nesse âmbito, de tantos dígitos, fica difícil dizer quem está com a razão.

Quem quiser procurar por algum termo que não seja em inglês, deve se desapontar. O próprio Cuil confirma não ter indexado todo o conteúdo que não esteja no idioma da rainha do chá, o que não permite fazer uma comparação quando o assunto é uma outra língua.

Vamos ao que interessa: a página de resultado de busca. No Cuil há uma considerável mudança frente ao que é praticado no mercado. O serviço exibe os resultados em 2 colunas, podendo, se o usuário quiser, mudar para 3 colunas (a opção padrão depende da resolução da tela do usuário). Ainda há uma série de filtros que o usuário pode usar, sugeridos sem muita explicação e lógica, diga-se de passagem. 

Algumas buscas que experimentei até retornaram mais resultados no Cuil do que no Google US. Mas, em sua maioria, nada relevantes. E este é o problema que mais espanta no Cuil: a relevância dos resultados.

A verdade é que o visitante está pouco interessado qual o algoritmo que rege um serviço do gênero. Ele simplesmente quer um resultado que atenda ao que ele precisa, ao que ele pretente. E isso, infelizmente e ao menos até o momento, não satisfaz.

Torçamos para que o Cuil se desenvolva. Talvez até se alavanque com técnicas de SEO, caso indexe seus resultados na busca do Google, não é? 😀

Repost: “Blog: web com rótulo”

Durantes alguns poucos anos assinei uma coluna mensal chamada “.comportamento” no saudoso NoMínimo, que foi tristemente descontinuado no final de 2007. Ela, como o nome abertamente sugere, se propunha a criticar determinados movimentos da internet e da tecnologia em geral sob o ponto de vista do impacto em nosso humilde cotidiano. Fomos da cauda longa para leigos, até web 2.0, passando por o dilema de digitar ou escrever na internet.

Quase que por acaso me deparei com o texto abaixo publicado em outro site. Ele originalmente é de 2005 e fala de blogs. Tenho minha opinião sobre pontos que mudaria caso ele fosse reescrito hoje. Mas, por favor, fique à vontade para deixar o que acha nos comentários, ok?   

***

Blog: web com rótulo

Blog: contração de weblog (web + log). Assunto batido, não? Tentou entendê-lo?

Ao pé da letra, parece apenas uma forma de deixar algo registrado, gravado na web. Apesar da simplicidade do significado, a fama e o burburinho atualmente ao seu redor têm, sim, um sentido: continuar a tal evolução digital. É um passo a mais não só na forma de comunicação online, mas também na tarefa de definir e manter laços sociais na rede. Vai além de gostar ou não. Eles já são mais de 100 milhões existentes no mundo e têm a ver com a atual condição da internet. É questão de ser, de estar.

Numa análise mais simplista, é possível relacionar o blog como o passo seguinte a uma série de ferramentas criadas para publicação e hospedagem de sites. Tais utensílios foram concebidos para quem não sabia HTML – linguagem que sustenta os sites – mas queria ter a sua página. Tudo de modo simples e rápido. Bastavam poucas escolhas sobre tamanho e cor de fonte, cor de fundo e mais um clique para que tudo estivesse publicado lá, no ar para quem quisesse visitar. E nessa mágica da programação, o GeoCities foi o primeiro, há anos. Diz a lenda que o serviço só surgiu porque um grande computador sem uso teria sido encontrado à deriva no canto de uma universidade estrangeira. Acabou servindo, então, de hospedeiro gratuito para sites do mundo todo. Gesto de caridade mesmo.

Pouco tempo depois, o modelo do GeoCities já estava amplamente consolidado. No seu rastro veio uma série de serviços idênticos, oferecendo soluções e espaço para quem quisesse ter sua página pessoal online. E, mais uma vez, a briga entre concorrentes do mesmo segmento foi benéfica ao usuário, fazendo com que as ferramentas disponíveis para produção e edição dos sites – tudo de modo online e através de qualquer navegador – fossem ficando mais e mais sofisticadas.

Apesar de todas as funcionalidades dos sistemas oferecidos até então, ainda faltava algo no mercado que pudesse popularizar ainda mais o acesso à produção de conteúdo para a web. A questão não era nem tecnológica, mas sim de produto, de forma, de proposta. E é justamente nesse capítulo que aparecem os blogs – justiça seja feita: muito em função do Blogger, atualmente uma marca do Google. Sim, ‘aparecem’, pois o uso da web como forma de registrar informações pessoais, ou de qualquer outra conotação, tem datas antiqüíssimas. O segredo do ‘novo blog’ estava na embalagem, novamente na proposta. Qualquer usuário, a partir de então, poderia ter o seu cantinho na web para falar sobre o que quisesse de um modo ainda mais fácil de usar e atualizar.

Recursos simples e banais tiveram considerável importância social para os blogs, como a possibilidade de comentar um conteúdo publicado e a capacidade de dar notas para os mesmos. Com eles as páginas ganharam interatividade, vida, polêmica, participação. Ganharam comunicação. A integração com o RSS, tecnologia que permite que qualquer um seja avisado sobre novidades em um site, também teve a sua parcela nos méritos da adesão aos blogs, ao lado de tantos outros detalhes que renderiam uma enciclopédia.

É bem verdade que os blogs acabaram virando sinônimo de diários pessoais – até porque a maioria deles tem esse objetivo. Mas escrevê-los serve como terapia para a metade dos mais de 600 bloqueiros entrevistados em uma pesquisa encomendada por um provedor norte-americano. É gente de todo tipo a contar como acordou, o que comeu, com quem brigou. Além disso, 31% procuram blogs em momentos de carência e ansiedade, contra 5% que contratam os serviços de psicólogos e especialistas da área. Somente os conselhos de amigos e da família ganham prioridade em relação a ele. Curioso? Não, parece apenas uma fresta do que se vê na vida moderna.

O assunto foi ficando tão sério e complexo que o termo blogosfera apareceu para exprimir o mundo dos blogs. Espécie de ciência própria, que engloba suas características, seu comportamento, suas regras. É uma comunidade com várias outras, menores, no seu interior. Todas interligadas, inteiramente linkadas. Na blogosfera termos novos não faltam. Tecnologias e recursos, também não.

Nesse cenário, incontáveis são os exemplos de endereços que dispõem de qualidade diferenciada e de posicionamento distinto. Não são mais somente diários pessoais. Como reflexo espontâneo do cotidiano, agora eles falam sobre humor, esportes, negócios, mídia, sexo e todo e qualquer tópico inerente ao ser humano. Nesse processo, era questão de tempo para que a indústria que circula em torno da internet mirasse seus olhos neles. Passaram a atrair e fabricar dinheiro. É a prova de que blogs podem ser fontes de conteúdo e entretenimento confiáveis e que merecem o profissionalismo.

Assim como tudo, existem blogs bons e blogs ruins. Podem ser divertidos ou extremamente frios. Interessantes ou patéticos. Quantos sites ‘convencionais’ você já não visitou e deixavam a desejar, ou tinham um tema completamente desprezível? E quantos outros não eram espetaculares? Isto vale para os blogs também. Vale para qualquer coisa.

Muitas vezes uma página que recebia o rótulo de blog perdia a sua seriedade. Seria, então, uma questão de nomenclatura? Se recebesse outro nome poderia ‘ser’ melhor? Ou agora, com o capital procurando os blogs, eles podem ser valorizados e reconhecidos como sérios – aqueles que se propuseram ser sérios?

Tudo isso é a web, nada mais do que uma parte da web, uma forma dela. Fica cada vez com mais cara do mundo desplugado. Não fosse pelos blogs, todo esse conteúdo, todo esse jeito, viria à tona por outro meio, de outra forma. Ou, até, com outro rótulo. E ainda bem que ele está online.”

A arte de baleiar e a web 2.0 (ou Baleias, donuts e a web 2.0)

Já estava nos meus planos fazer um post traçando um pequeno paralelo entre o Orkut e o Twitter. O “Bad, bad server. No donut for you” orkutiano e a baleia twitteira içada pelos resistentes passarinhos têm muito mais em comum do que supõe a nossa vã filosofia. Mas, não posso negar, as lambanças recentes de ambos os serviços foram fundamentais para acelerar a sua redação.

No último final de semana o serviço de storage do Twitter, o popular Amazon S3, ficou bem instável, impactando na disponibilidade desse querido microblog. Imagens quebradas e outras maldades tiveram farta distribuição juntos aos usuários. Mas, quem acompanha sabe que esse foi apenas o estopim de vários problemas constantes, que vão da indisponibilidade total do serviço ao castramento de várias funcionalidades importantes, como o uso de Instant Messenger na publicação/recebimento de posts/mensagens.

Há uns 10 dias uma amiga me pediu socorro pois seu perfil no Orkut tinha sido alterado. Suas informações e sua foto foram para o espaço. Ela também sequer conseguia se logar no Gmail com os mesmos dados de acesso ao Orkut. Acabou mandando e-mail ao Google, que respondeu dizendo que a situação tinha sido restabelecida e que tudo tinha voltado a funcionar corretamente. A resposta sugere uma bela mea culpa, diga-se de passagem, uma vez que se eles não tivessem responsabilidade sobre o drama teriam retornado algo como “você é a responsável pelos seus dados de acesso. Se os perdeu, o problema é seu”.

Parecia um lance isolado, mas ontem quem utilizou a maior rede social para brasileiros, notou que boa parte dos nomes de seus amigos estava trocada, experimentando também vários outros inconvenientes. O que parecia pontual, se alastrou. Sabe-se lá se foi um DBA novato ou se ações mais malígnas, fato foi que a repercussão foi grande e desagradável. O ocorrido fez com que ninguém mais pudesse usar o serviço, dando de cara com um tapume do gênero “estamos em manutenção. Volte mais tarde”. (Comentário bobo em cima do que relatou o G1 no trecho linkado acima: imagine ir ao Twitter reclamar dos problemas e o Orkut e também encontrá-lo fora!) 

O conceito do bom e velho beta eterno pregado pela web 2.0 serve de escudo para escorregadas de tudo quando é tipo de serviços online. Quedas acontecem e fazem parte de qualquer projeto que está engatinhando e quer ficar em pé, mas tudo tem limite. E, como já dito, o conceito de que tudo está em desenvolvimento na internet atual acaba ajudando a tolerar tais falhas.

O nível de qualidade oferecido tanto pelo Orkut quanto pelo Twitter já estiveram ou estão bem abaixo do aceitável e, pelo menos a olho nu, ninguém arreda o pé deles. Talvez a grande razão para isto esteja no social graph, ou seja, nas conexões entre você e seus amigos, conhecidos etc. Se não fosse isto (e não fosse tão complicado migrar todos os contatos para um concorrente) talvez mais gente já tivesse abandonando esse barco. Viva as relações sociais!

O neologismo constatado pelo surgimento do verbo “baleiar” é o reflexo disso. Baleiar nada mais quer dizer do que sair do ar ou ratear, estar indisponível. Se um site saiu do ar, ele baleiou. E tudo isso graças àquela belezura de baleia que o Twitter exibe quando algo de errado acontece com o seu sistema. E já tem até site, como o www.baleiando.com.br, para tratar (e tirar um sarro) de problemas desse quilate.

Ainda bem que ainda há humor entre os usuários. Afinal, já já será normal encontrar mensagens de erro com baleias sem qualquer donuts sendo levantadas por pássarinhos felizes. Vai ter gente rindo, vai ter gente que não vai achar tanta graça. Enquando acontecer apenas com redes sociais e serviços não tão estruturais, a coisa pode continuar a ser vista como divertida. O problema vai ser quanto baleias e donuts começarem a visitar sites de bancos e outros serviços vitais. (Ainda bem que não os tenho visto por aquelas bandas… )

O SEO mudou a mídia (e um pouco de webwriting)

O SEO mudou a mídia

Desde os primórdios da internet comercial no Brasil, em 95, muito mudou e em todos os seus setores. Talvez um dos fenômenos mais evidentes está na forma com que a mídia escrita se desenvolveu para chegar até este exato momento em que você, coincidentemente, lê mais um texto online. Abaixo breves digavações sobre alguns pontos interessantes quando o assunto é a mídia escrita que consumimos especialmente na web. Acabei por dividir a história em partes pois há períodos bem particulares nesses aproximados 13 anos, que são, mais ou menos estes: 

1ª fase: tudo é novo
Lá pelos idos de 90 e poucos sequer havia um volume considerável de web sites para traçar uma análise substancial, como boa parte dos endereços transcrição conteúdo fruto de outras mídias. Na época o mercadinho (porque mercado é hoje, antes era modesto mesmo) não tinha qualquer dado confiável sobre o comportamento do tal internauta, o que fazia da web algo bem similar ao padrão de conteúdo de uma revista, no sentido do tratamento de seus (longos) textos. Tanta novidade também resultava na falta de premissas na hora de criar/formatar produtos especialmente para a internet. Ou, seja uma mídia ainda sem identidade e tentando entender para que lado iria cair. Era a fase das novidades, dos GIFs animados com chamas, nomes que vinham e voltavam e um certo fascínio com a invenção do Flash e suas aplicações. Apesar da banda estreitíssima que se tinha, um bom site não se fazia sem GIFs, contadores e até música de fundo. Aliás, tinha site que era puro imagemap!

2ª fase: tudo é novo, mas não é bem assim…
Mais um punhado de tempo e, lá pelo ano 2.000, webwriting tornou-se a palavra da moda, afinal, entendeu-se que a internet tinha suas particularidades e lidar com caracteres na tela do computador era diferente de encontrá-los estampados em papel (ou em qualquer outra mídia). Títulos mais curtos e atraentes, bullets, paginações e textos não tão extensos foram itens que pularam para a pauta de quem lidava com o mercado digitial, prontamente assimilado e praticado. Enfim, os dados e estatísticas que enfim brotavam serviam para um retorno prático aos profissionais e usuários digitais, afinal, não só apareceram pesquisas e informações a respeito dos hábitos do usuário, como passou a ser possível saber que chamada gerava mais cliques, quantos cliques cada uma teve etc. E um dado relevante nesta etapa é que tais conhecimentos e práticas estavam centralizados em jornalista e outros profissionais que lidavam com produção de conteúdo para a rede. Os GIFs sacolejantes, Flash e afins continuavam lá, mas com mais parcimônia e tantas descobertas fizeram da web um grande tubo de ensaios.

Se por um lado as métricas para acompanhamento das performances de uma chamada ou de uma página qualquer atestavam o que funcionava ou não, por outro elas incentivaram a briga por cliques e mais page views (diretamente proporcionais aos tão venerados ad views). Quem pagou a conta e o pato foi o usuário, que recebeu de presente textos curtos e enigmáticos. Quem não lembra da quantidade de “clique aqui”, “leia mais”, “veja mais”? 

3ª fase: ok, sejamos justos
A 3ª fase demorou um pouco mais a surgir — se comparada em relação ao tempo da 1ª para a 2ª. Começou a ser mais propriamente falada (e aceita) com a consolidação do Google enquanto fenômeno na reinvenção como mecanismo de busca, com um justo destaque para o algoritmo que o regia. Sua popularidade era uma bola de neve, e quanto mais falava-se sobre ele, mais visitas lhe rendiam. O movimento arregalou os olhos do já grandinho mercado, que entendeu que o Google assumiria um importante papel na canalização de visitas para qualquer endereço. E eis que chegamos no panorama que temos atualmente em vigor.

Baseados tanto na documentação oficial do Google quanto em achismos e alquimias de outros tantos, as regras que ditavam o tal algoritmo foi alvo de curiosidade, estudos e especulações. Algumas conclusões foram unânimes: “títulos são importantes, títulos são relevantes!”. E, por mais que a 2ª onda pregasse que os títulos de um texto numa página qualquer tinham que ser miúdos e até misteriosos em prol do clique, a 3ª veio com força para trazer de volta palavras importantes que antes poderiam ser suprimidas. Tudo bem que a arquitetura da informacão da tal web 2.0 é menos esprimida, mas isso não quer dizer que atualmente tenhamos uma baita oferta de espaço para se digitar em profusão.

Na outra mão, técnicas tradicionais de escrita que costumavam evitar a repetição (e monotonia) de termos, foi por água abaixo por causa do SEO, que premia a densidade moderada de uma palavra. E a partir do momento que existe a democratização do acesso à internet, é preciso esquecer que quem navega é especialista no assunto e deixar tudo muito claro, com palavras fáceis e óbvias (até mesmo para serem facilmente achadas numa busca). E, por mais que as conexões estejam ficando cada vez mais velozes, imagens e outros arquivos deram lugar a texto, puro texto.

Os blogs e a descentralização da mídia nas mãos de qualquer indivíduo alavancaram a necessidade das buscas, que passaram a orientar o usuário a encontrar o que queria frente a imensa varidade de fontes disponíveis. E, curiosamente, vimos uma incrível volta às origens com o retorno triunfal do hipertexto e seus magníficos hiperlinks. Ao invés do génerico e sacal “clique aqui” para levar o visitante para o site da padaria, o editor passou a linkar dizendo “veja aqui que máximo o site da padaria do João”. Linkar voltou a ser bom e não é mais entendido como mandar o usuário embora dos seus domínios. 

Quem acaba sendo favorecido ou punido com tudo isso é sempre o usuário. Agora ele consome conteúdo mais honesto e objetivo, sem truques e pegadinhas. Mas não só nisso. Na 3ª onda ganhou com a nova lógica do Google, que premia conteúdos frescos, afins, relevantes — seja lá o que isso quer dizer. E, a verdade seja dita, parece que está funcionando. 

Agora é aguardar até a próxima onda.

Listas, listas e vídeos

Top 10 listas de vídeo WeShowO WeShow lançou há poucos dias um blog bem interessante (deixando a modéstia de lado) que traz um top10 todo o dia com vídeos sobre cada item da lista. Trata-se do Top 10 Listas de Vídeo. Em suma, não é tão complicado saber quem são os homens mais ricos do mundo, certo? Mas quem já viu a cara de cada um deles? Pois é aí que entra o blog, que não só dá a relação dos 10 mais ricos, como oferece vídeos sobre cada um deles. Já foi publicada uma porção de listas até agora — algumas, bem curiosas. São rankings que vão dos maiores heróis do cinema chegando até celebridades mortas que mais geram fortunas atualmente. Bateu curiosidade? Dá um pulo lá para acompanhar. Ele está disponível em várias línguas. Esperamos que goste. 🙂

 

 

Um e-mail e uma revista 10 anos depois

internet_world_cover.jpgVocê sabe que está ficando velho quando uma novidade envolve algo que começou há 10 anos. E foi o que aconteceu comigo e através deste blog aqui.

Há alguns dias recebi um e-mail, através do endereço do blog, de subject “LEitura de Uma Revista – Profissionais da Rede AGOSTO 98″ — exatamente assim, com parte em caixa alta e parte em baixa. Fiquei curioso e, quando li, vi que tinha realmente a ver com a querida revista Internet World (IW), onde trabalhei dese o seu início e cheguei a ser editor-chefe. Aos mais novos — e é aí, de novo, que você realmente confirma que é velho –, a Internet World foi a primeira revista impressa sobre internet no Brasil. Era editada pela MantelMedia no Rio de Janeiro e fez história, refletindo tudo o que acontecia no começo da rede. Se não me engano, ela nasceu e 95 e foi encerrada em 98 mesmo ou 99.

Ao abrir o e-mail fiquei impressionado pois ele era bem extenso, trazendo 14 parágrafos de bastante texto. E era de fato uma grande história (e uma história grande).

Fui lendo com atenção. Tratava-se de um antigo novo leitor da IW. Ele dizia que em 98 seu pai tinha dado de presente para ele uma edição da revista sobre novas profissões que a internet começava a criar. Na época ele não leu o artigo e deixou-o encostado na casa do pai. De lá pra cá ele fez de tudo: trabalhou na Fiema, teve uma produtora musical, entre outras experiências. Mas nada que, segundo ele, o satisfizesse.

O último capítulo desse causo aconteceu há poucos meses, quando ele reencontrou a revista na casa de seu progenitor e, enfim, degustou a edição de 98 com calma. Resolveu então largar tudo e trabalhar com redes, conectividade e esse mundinho fantástico de Matrix.

O e-mail foi justamente para me agradecer por ter escrito o artigo e tê-lo influenciado a trabalhar com internet. Respondi dizendo que ficava muito honrado com tudo (e realmente feliz) e alertava que de lá pra cá muita coisa tinha mudado e que várias outras profissões ou ocupações relacionados ao mundinho digital andaram pintando por aí.

É bem curioso como tudo isso ocorreu e como algo que você produziu num passado razoavelmente distante pôde ter na vida de uma pessoa. Mais curioso é o fato de que o objeto desse história não é algo que está propriamente digitalizado, mas uma revista em átomos, puro papel.

Novamente, desejo muita sorte ao leitor, um futuro companheiro de mercado digital.

OBS: a imagem que usei tanto na home do blog quanto aqui no post, naturalmente, não é a capa da edição citada, e sim uma da edição americana apenas para efeito de ilustração. Qqualquer dia vou escanear a capa original dessa edição (e, quicá, a própria matéria) para disponibilizar aqui.

SuperaCão: o cão bípede

Me passaram essas fotos e eu fiquei maravilhado com a garra desse cachorro que, mesmo aleijado, encontrou a sua forma de continuar em frente — literalmente. Mesmo sem as patas da frente o bichinho caminha normalmente. Se alguém achar algum vídeo dele, manda pra cá. É o SuperaCão!

Pouco depois de publicadas as fotos, achei o vídeo. Confira comigo: 

cao_04.jpgcao_03.jpgcao_02.jpgCachorro campeão

O Google e o computador nas nuvens (cloud computing)

Cloud computing/Computador nas nuvensPode parecer um comentário cretino e pretencioso, mas num dos meus ataques imaginativos, fiquei pensando como seria bom se cada vez mais informações e softwares estivessem online, se pouco importasse o computador que você estivesse usando. O devaneio envolvia situações de trabalho, onde você poderia mudar de ponto sem mudar de máquina, mantendo os programas e informações praticamente intactos e acessíveis independemente de onde você esteja. Na verdade, é até o que boa parte do conceito da web 2.0 prega. Mas, entre delirar e fazer há uma imensa distância. E é aí que entra o Google.

O mais legal dessa história toda é que esse conceito existe e se chama cloud computing ou, como tem sido chamado em português, computador nas nuvens. Nesse caso, as nuvens são os micros que compõem essa tal internet e elas podem prover ao usuário tudo o que ele precisa e costuma usar atualmente sem ser a necessidade de um computador parrudo — muito pelo contrário. A tendência é que os micros sejam extremamente básicos e, por consequência, mais baratos e acessíveis. Algo como teclado, mouse, monitor e um chip que vai se encarregar de fazer a ligação dele com a rede. Mas, por outro lado, se tudo estiver online, haverá um consumo de banda maior, o que pode incorrer em aumento de custo para o usuário final.

As novidades pesarão para o lado dos servidores, que passarão a fazer o trabalho pesado. E, como essa conta terá de ser paga por alguém, sugere-se que seja pelas empresas que estiverem oferecendo a parte de serviços, que serão as grandes estrelas do jogo, sendo peças-chave nele. Coitados dos fabricantes de hardware…

Apesar de começar a pipocar em 2007, o cloud computing começa a ser mais falado agora. O tema virou matéria do Jornal da Globo e pode ser visto na íntegra no vídeo abaixo, que traz trechos como: “As fotos da família, os vídeos, a planilha com as contas da empresa, os textos… Virtualmente, tudo pairando sobre nós. Você acessa seus dados de qualquer computador, em qualquer lugar. E mais do que isso: os programas também ficam nas nuvens. Você recebe em sua tela o processador de textos, o editor de fotografias, enfim, o software que bem entender. ” Mais do que falar de computador, nuvens e afins, vale a pena conferir no vídeo a primeira entrevista de Eric Schmidt para uma TV latino-americana.

A hora é de aguardar e ver se é nuvem passageira ou não. Torçamos para que ela chegue logo e para que faça uma boa bagunça por aí.

Veja íntegra da reportagem do Jornal da Globo sobre cloud computing: