Porque o VAR já nasceu morto?

Bruno ParodiTecnologiaLeave a Comment

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Mesmo com uma tecnologia admirável, a impressão é de que o VAR atualmente é um fracasso.

A questão me faz lembrar o “Não mate o algoritmo”. Pedido que parece insensato, mas tem uma razão.

“Não mate o algoritmo” aconteceu em 2020, quando subiu o meu primeiro texto para a EXAME. E, você deve lembrar que naquele momento só se falava em algoritmos por aí. Seja por conta de documentários como “O Dilema das Redes Sociais”, na Netflix, seja pela notoriedade que eles tomavam no nosso dia-a-dia digital.

O alerta vinha de uma conclusão bem simples: os algoritmos são um meio, um mensageiro. O criador, o emissor é o ser humano, é quem o programa. Então, nao crie ranço com ele especificamente.

Diante de um final de semana de estreia do Campeonato Brasileiro de Futebol, parece que a lógica volta pra discussão. Numa rodada repleta de polêmicas envolvendo o VAR, quem devemos responsabilidade: a máquina ou o homem?

E isso me fez lembrar imediatamente da NBA, onde desde a temporada 2014-2015 está em funcionamento o NBA Replay Center — não vou trazer as iniciativas no vôlei e no tênis por ignorância minha mesmo.

O NBA Replay Center nada mais é do que uma sala altamente equipada: 94 monitores HD, 29 arenas conectadas, 20 estações de trabalho, 15 gatilhos para revisão instantânea de lances).

E essa sala fica em Nova Jérsei, EUA. Ali concentram-se a tecnologia e os seus operadores. Ponto que, na minha leitura pessoal, é onde começa o descrédito atual do VAR.

Não deve ser fácil para um operador de VAR no Brasil pegar um avião, entrar num estádio lotado de pessoas querendo comer seu fígado. Quais são as condições dessas salas do VAR nesses estádios, também? Será que dá pra tomar decisões tranquilas ali, sabendo que você vai precisar deixar o local em meio a uma multidão para voltar para casa?

Fora essa descentralização da operação, que não é vista somente no Brasil, naturalmente, o ponto crucial na minha visão está na (pouca) qualificacação de quem opera o VAR e na (falta de) uniformidade de critérios.

“Ah, mas eles precisam tomar decisões em segundos”. Sim, mas isso não vale para qualquer outra modalidade esportiva também? E isso já era sabido ou é alguma novidade?

Se valia antes para o algoritmo, agora na minha visão vale para as câmeras, para as telas, para o software de vídeo etc. Não está na tecnologia o problema. Há de rever quem é o piloto dessa tecnologia.

Não matemos os algoritmos, não matemos o VAR e nem seus operadores. Mas questionemos como a tecnologia é usada, pois parece que não é ela o centro dos problemas.


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