Voltei a ler papel!

April 30, 2008

Voltei a ler papel!A semana que passou trouxe uma novidade incrível à minha vida: a volta do papel. Não sou analfabeto, mas ultimamente só tenho conseguido me dedicar a leituras triviais do dia-a-dia, muitas delas atreladas ao nosso querido e atribulado WeShow e a tudo o que o envolve. Sempre tive vários e vários livros, afinal, sempre os considerei belíssimos produtos a serem empunhados. Mas, ler que é bom, nada. E a culpa é da tecnologia, sim—pelo menos no meu caso. Até hoje, 98% do que li foi através de um monitor—veja bem, não acho isso bonito.

Aliás, pausa para um belíssimo flashback: já fui protagonista de uma matéria publicada na Superinteressante sobre viciados em internet (ela é de outubro de 2000, e, pasme, acabei de encontrá-la aqui!). A repórter mandou várias perguntas interessantes, foram lá em casa bater algumas fotos minhas abraçadas a um monitor (?) e o resultado foi curioso. Fora as frases que eu não disse com todas as letras, fui classificado como um webaholic—como eu mesmo digo lá. Apesar de tudo, acho que o trecho da própria revista a seguir livra, de certo modo, a minha cara: “Se você ficou impressionado com a rotina de Bruno Parodi, é bom ficar sabendo: ele ainda está longe de ser um caso grave de cyberdependência. Bruno passa metade do dia surfando na web, mas boa parte de suas atividades online dizem respeito aos seus negócios que, aparentemente, até agora não foram prejudicados”. Que alívio…

Apesar do parágrafo acima parecer gratuito, ele serve para ilustrar que em vez de um livro antes de dormir, acabo por embalar um notebook, pilotar um iPhone. É então que voltamos ao início, aos livros e à leitura. O episódio do dia em que bati com o carro enquanto mexia no BlackBerry rendeu frutos positivos. As pequenas rachaduras no pára-choques não foram tão miúdas e a pancada que dei no carro da frente fez o calço do motor ficar capenga. Como a peça não é tão simples de ser encontrada, o carro está parado na garagem, aguardando os reparos.

Desprovido do possante, o negócio foi começar a andar de táxi. Um dia, dois dias e já no terceiro o preço começou a pesar no bolso e, até pelo curto trajeto casa-trabalho, o ônibus pareceu uma justa opção. Apesar da falta de privacidade e as paradas em cada ponto, o ônibus é um incrível alavancador de leituras. 

Sacar um iPhone no grande veículo não é costumeiro, então é aí que entram o jornal, o livro, a revista. Depois de séculos, li a Veja por meia hora sem parar. A própria Wired, há 1 mês encostada, serviu para algo além de suporte de copo. Ah, o papel… Apesar de todas as árvores sacrificadas (sou a favor do replantio), às vezes não há pixel que substitua uma folha. Até gosto das funcionalidades de toque do iPhone, mas tem horas que não há nada como virar uma página com o dedo. 

Se eu fosse moderado talvez equilibrasse o uso da tecnologia e gadgets variados por dispositivos analógicos mais românticos. Meu carro (ou a ausência dele) me fez redescobrir o papel e uma boa leitura. Resta saber até quando isto vai. Adoraria que tivesse longa vida, mas qualquer dia o carro vai acabar voltando a funcionar, não é? 

Se dirigir, não se conecte

March 24, 2008

DirigirSegunda passada teria sido um dia normal se eu não estivesse distraído lendo meu BlackBerry (e, neste caso, também estaria se fosse um iPhone ou similar) enquanto dirigia. A distração rendeu uma bela pancada na traseira de uma caminhonete. Por sorte, apenas um arranhão ficou de presente no carro do sujeito e minha placa ficou deveras retorcida, à la biscoito da sorte chinês, além do capô, que ficou mais levantado do que deveria.


Depois fiquei pensando e cheguei a conclusão de que o que houve ficou barato para mim, e que aquilo já poderia ter acontecido há um bom tempo, pois eu já tinha escapado de um bocado de situações parecidas. Mas, como Deus é meu firewall e nada me faltará, aprendi uma lição, e no dia seguinte chequei o BlackBerry apenas uma única vez no trajeto casa-trabalho.

Pode parecer banal, mas é inevitável que num futuro próximo precisemos dirigir e acessar a web, ler e-mail, conversar num IM etc com uma frequência e necessida bem maiores. Não tem jeito, já que é algo que já está sendo embutido no dia-a-dia das pessoas—ao menos, por enquanto, no de quem trabalha com isso. Foi então que surgiu a pergunta que pauta este post: como, diabos, iremos fazer para dirigir e estar conectados simultaneamente?

Antes que eu receba uma saraivada de críticas do tipo “ah, mas o MIT já bolou isso/mas a Volks já tem um carro com aquilo”, vou me ater a apenas divagar sobre o tema, sem entrar nas questões de produto ou tecnologia específica para equacionar o problema, ok? (Mas, claro, amigão/amigona, sinta-se convidado a colocar nos comentários qualquer novidade a respeito)

Indo pelo raciocínio lógico da função de um headset, que atualmente é usado para falar e ouvir, seria cabível um super headset, capaz de fazer seu usuário enxergar o conteúdo de seu gadget e, o que é mais complicado, conseguir interagir com ele. Infelizmente, até onde pude acompanhar, softwares de leitura de textos em voz não costumavam oferecer resultados satisfatórios. Mas seriam, no mínimo, uma boa opção—caso fossem realmente bons—para quem quer ao menos consumir uma informação de um e-mail, de uma página ou de um feed de modo sonoro e, quem sabe, subir dados para a internet também a partir de suas cordas vocais. Uma forma bem natural de proporcionar tais suposições é espetando o bendito gadget no próprio sistema de som do carro, o que já tem sido amplamente utilizado e desbravado pelas necessidades criadas pelo iPod.

Partindo para o lado da ficção científica quase delirante, é possível imaginar algo no melhor estilo Minority Report, filme estrelado pelo Tom Cruise. Ou seja, uma interface holográfica projetada no painel ou no vidro do carro, que permita interação manual com ela. Mas, ainda que seja super criativa, ela esbarra na razão principal desse post: a segurança, afinal, como seria possível dirigir e usá-la sem correr perigo? 

Ainda nesta linha, naturalmente, é de se esperar automóveis que já venham de fábrica com toda essa parafernália integrada, deixando tudo mais conveniente—e, claro, seguro. O espaço está aberto para críticas, discussões, indicações de soluções que já estão pintando por aí, ressaltando que esta é muito mais uma questão filosófica do que propriamente prática.

Enquanto isso, lá vou eu me arriscando com meu BlackBerry entre algumas paradas (bruscas) no trânsito… 

OBS: não sou eu na foto, felizmente.  

Meu querido CrackBerry

March 11, 2008

bb_125.jpgDesde julho do ano passado utilizo um incrível BlackBerry Nextel, modelo 7520. No início fiquei feliz, apesar de suas dimensões demasiadamente grandes. Ok, ele tinha uma largura bem maior do que o 8700g, além de uma tela sem muita nitidez e com uma definição que deixava a desejar. Mas, vamos lá, agora usaria telefone, rádio e vários aplicativos online ao mesmo tempo. Na época o iPhone ainda não tinha pintado em terras tupiniquins e o velho BlackBerry era o grande senhor da conectividade portátil.

Mas eis que situações no mínimo estranhas acometem este aparelho que, na teoria é uma belezura, mas costuma ter um comportamento curioso. Isto pelo simples fato de que se alguém quiser te passar um rádio enquanto você estiver usando o seu GTalk (que já vem no bicho) ou qualquer outro aplicativo do aparelho não terá sucesso. Receberá a singela mensagem “usuário ocupado em dados”. Ora, mas qual a razão de um handheld desse se você só puder usar os aplicativos online ou o rádio? Seria mais razoável ter um aparelhinho menor acoplado só para o rádio, pois o que acontece beira o patético.

Fica aqui o registro do meu desapontamento em relação ao meu querido CrackBerry, esse maravilhoso tijolo que fala e faz falar (às vezes).