Pintaguy deixa sua mensagem para 2006

December 31, 2005

Que venha 2006!

Neste momento único da vida humana na Terra, Ivo Pitanguy, um dos maiores cirurgiões plásticos do mundo, deixa o seu recado sintético sobre o que esperar de 2006.

“Feliz ânus novo!”, diz o sarcástico cirurgião para todos os clientes já atendidos e para aqueles que têm o interesse de reparar partes do próprio corpo.

O pivete Jorge - parte 3 (grand finale)

December 28, 2005

E tudo acaba bem...

Chegamos até o meu edifício. Jorge, já íntimo, pergunta se não haveria comida sobrando lá em cima. O pedido era a prova de que algo de muito errado estava acontecendo ali. Mandei uma negativa, talvez sem nenhum embasamento tentando afastar ao máximo o perigo. Afinal, quê diabos ele queria?

Já estava pronto para abrir a portaria e subir correndo, quando o gênio do meu irmão (mais novo que eu) me aparece saindo do elevador. “Vim guardar a bicicleta, Bruno”, desferiu. Jorge arregalou os olhos e ficou na espreita. Ela estava na garagem, mas precisávamos guardá-la lá mesmo, dentro no armário referente ao nosso andar.

Não tive escolha. Abri o portão e entramos os 3. Jorge, o circense, corre na direção da bicicleta, a põe nos ombros e pergunta onde deveria colocá-la, fazendo graça. Ri de nervoso com a palhaçada e vi que as coisas estavam cada vez piores. Ele acabou colocando-a no chão e eu a guardei no armário, enfim. Mas ainda restava meu skate no chão. O potencial pivete correu em sua direção, perguntou se poderia dar uma voltinha. Malandramente, fingiu que ia colocá-lo na rua e saiu correndo com ele debaixo do braço. Pronto. Aconteceu. Por um momento tive a esperança de que fosse uma brincadeira, e berrei: “Joooooorgeeeeeeeeeeeeeeeeeee, devooooolve!” Mas ele já tinha sumido, virando a esquina.

O grito chamou a atenção da rua inteira. O porteiro do quarteirão ao lado, pai de um amigo, aparece na hora e desfere um comentário muito feliz para a ocasião: “Porra, Parodi, o cara te roubou? E ele agora sabe que você mora aqui? Tá doido, rapá?”. Minha mente pensou: “Vai tomar no seu cu! Obrigado pela ajuda psicológica neste momento…”, mas minha boca preferiu proferir: “É né?”

Subi desolado e pondo a culpa no meu irmão. Meu pai tinha saído e ainda estava fora. Deitei no sofá da sala me lamentando. Que mole que eu dei… E no dia seguinte, um sábado, iríamos para a casa do pai de um amigo, onde tinha uma rampa de skate.

Cinco minutos depois começou um falatório embaixo do meu prédio. E cada vez mais alto. E eis que começa: “PAROOOOODIIIII! PARODIIIII!” Pus a cabeça na janela. Umas dez pessoas estavam lá. “Roubaram seu skate, né?” Eu acenei que sim. “É esse aqui?”, e eis que uma mão levanta o meu brinquedo em meio àquela gente toda. Nem pude acreditar… Era ele mesmo! Desci na hora.

Tudo tem uma explicação: ao fugir daqui com o skate na mão, Jorge passou correndo, suspeito, pela rua ao lado. Os porteiros de lá foram atrás do pivete e baixaram-no a porrada, resgatando meu precioso veículo. Os moleques de lá sabiam que o objeto era de alguém da minha rua, e vieram conferir quem era o dono. Na pancadaria com o projeto de criminoso, também ficou um boné, novinho, que ele deve ter “recolhido” de algum incauto. Quem vai?

Mais que um amigo, Jorge era um pivete que passou um dia com a gente. Nunca mais foi visto.

O pivete Jorge - parte 2

December 27, 2005

O melhor da rua era a democracia. Sempre aparecia alguém da rua vizinha, ou primo, conhecido de outro alguém. Logo, rostos novos não faltavam.

Talvez a mais marcante e memorável delas apareceu cedinho num dia quente pra cacete. Quando eu desci para encontrar os outros ele já estava lá. Perguntei para o pessoal quem era e “Jorge” foi a resposta. Tentei saber de onde, mas ninguém sabia bem. “Pergunta pra fulano, que ele sabe”, completavam. Qual seria a origem daquele ser magro, esculhambado e sagaz?

Em menos de meia hora Jorge sabia o nome de todo mundo. Não abria muito a boca e ria de tudo, no melhor estilo hiena de ser. Naquele dia brincamos de tudo, e em tudo ele era o melhor, o mais rápido, o mais entendido. Eu nunca fui nenhum atleta, mas meu físico esguio, bonito e modesto me fazia correr bem e estar entre os melhores da galera. Mas numa disputa com Jorge, o estranho, fiquei anos-luz para trás – o que me deixou deveras intrigado. Até pensei que ele poderia ser bem mais velho, mas condicionar uma cara de garoto.

Todas as minha questões acerca daquela criatura vinda do mundo de Tolkien estavam me incomodando, e eu resolvi achar que tratava-se de uma neurose infanto-juvenil, deixando os grilos de lado.

Já tinha passado das 6 da tarde e boatos sobre os pivetes gigantescos fizeram meu pai me mandar ir embora do fascinante universo do meio-fio. Me despedi de todos e parti. Jorge, o escuso, me perguntou para onde eu iria. Apontei, então, para o final do quarteirão. “Vô pá Cruzada”, disse ele. Era tudo que eu não precisava ouvir, uma vez que metade dos pivetes da época era oriunda da Cruzada.

[continua amanhã]

O pivete Jorge - parte 1

December 26, 2005

Quando eu era menor tive a felicidade de contar com boas opções de lugares para brincar. Podia ir para o clube, praia ou, então, ficar na rua – tudo num raio que não passava de 1 quilômetro (sem contar Petrópolis). O palco da baderna era um lance cíclico, que variava entre os 3 (ou 4) cenários já citados.

Cada point tinha uma galera diferente, variando níveis sociais e econômicos. De manhã você podia estar batendo uma pelada com o filho do presidente do Banco Central e de tarde saindo na porrada com sem-teto da rua ao lado. O fato é que tudo dependia das fases, das épocas, e eu invariavelmente passava temporadas inteiras com os moleques da minha rua andando de bicicleta ou skate, no meio de guerras onde a munição eram os frutos que caíam das árvores, futebol, damas e tal. Era pé no chão mesmo e só subia para casa quando o meu pai assobiava militarmente da nossa janela.

É, sim, o Rio sempre foi violento. E na minha época de mini-Parodi nosso grande temor eram os pivetes. Atualmente eles parecem menores, mais perdidos, quase lunáticos. Mas, repito, na minha época eles tinham quase 2 metros de altura, eram magricelões e sedentos por sangue. A gente ali não tinha medo de porra nenhuma. Se desse alguma cagada, os mais de 10 pirralhos se juntavam e resolviam a situação. Só os pivetes é que eram um caso perdido, não tínhamos como enfrentá-los… E eles sempre teimavam a aparecer depois das 6 da tarde, quando começava a escurecer. Quase criaturas de O Senhor dos Anéis.

[continua amanhã]

Nada? Nada mesmo, queridas?

December 22, 2005

Ontem fui na Livraria da Travessa, aqui de Ipanema. Tudo muito agradável e cheio para uma quase ante-véspera natalina. Tinha de tudo: velhas com cabelo arrepiado comprando livros sobre pompoarismo bucal, meretrizes de classe média tentando mudar de vida e, claro, gente simples como eu.

Enquanto esperava o meu “mate-natural-sem-limão-com-gelos-no-copo”, como bem definiu o garçom que desaparecia quando ficava de perfil, surge a globalina Julia Lemmertz (à direita na foto acima). Boa atriz. Gente boa, atriz. Entrou no restaurante da livraria e sentou-se na mesa ao lado. Até aí grandes merdas, convenhamos. Mas, eis que dois minutos e meio depois adentra Beth Lago (a da esquerda ali, ó), também atriz e comentarista esportiva. Legal demais. Eu esperando que elas trocassem abraços, beijos e comentários acerca da novela da vez. Mas picas. Nem se olharam—e uma estava a 3 metros da outra. Mais 10 minutos e Claudia Jimenez (na meiuca da foto), irmã mais larga da Luciana de mesmo sobrenome, também aparece no recinto. E eu, de novo, olhando. Tinha certeza que ali ia rolar algo. Sempre rola e é sempre algo inusitado, que a mente de um não-artista nunca consegue assimilar bem. Estava à espera de uma ciranda entre as 3, uma confraternização à la camarim, um bate-boca, dedo no olho, dança da bundinha, sei lá, porra! Mas, nada novamente. Ninguém se olhou, ninguém se xingou, ninguém fez porra nenhuma.

É aí que eu pergunto: em que mundo vivemos?

IMPORTANTE: mudou tudo!

December 21, 2005

É, já chega. Postar vídeos com imagenzinha ilustrativa talhada, resenha marota e o diabo a quatro enche os ovos. E o que passou pela minha cabeça quando prometi “um vídeo novo todo dia”? Sim, admito, foi um engodo. Mas tudo bem, desde o dia 5 de setembro que isso aqui não era atualizado. Mesmo assim, uma cacetada de gente, como você, acaba caindo aqui todos os dias. Quê isso, meu Deus? Falta do que fazer? Vai trabalhar…

Legal, legal. Não prometo muita coisa, mas vou tentar postar aqui o que vejo no cotidiano sob o meu peculiar (e medonho) ângulo analítico. Isso mesmo. Depois vou mudar o nome do site para “Ângulo Parodi: o quê é que só eu vi”. Isso porque quando todo mundo vê algo numa cena do dia-a-dia, eu insisto em enxergar os detalhes mais patéticos. Quando alguém fala algo sério, eu acabo rindo porque me lembrei de alguma coisa babaca. É quase como os movimentos em câmera-lenta da trupe de Matrix. Minha ótica (tive vontade de escrever “Óticas do Povo, morô) tem sempre uma pitada ridícula, um detalhe escroto, um comentário medonho.

Bem-vindo ao “Ângulo Parodi”—calma, cacete, depois a imagem lá do topo que fala dos vídeos será alterada. Ah, e se estiver uma merda, avise-me. Numa boa, não vou ficar puto nem magoado com comentários sinceros, xingamentos honestos e tapinhas nas costas. Afinal, a vida é isso aí. Roda o VT!

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